Desde criança, sempre ouvimos que devemos seguir nossos sonhos, acreditar em nós mesmos. Na teoria parece bonito mas, na prática, os obstáculos e os motivos para desistirmos são inúmeros.

São poucos os que vão até o fim, superam todas as barreiras, conquistam, constroem, deixam sua marca. Vencem. Wander Taffo foi um desses poucos.

Quando começou sua carreira, no início dos anos 70, não havia no País equipamentos de qualidade, oportunidades nem apoio algum para quem quisesse ser músico. Taffo tinha a seu favor somente a vontade de tocar e a paixão pelo instrumento.

Pouco depois já era considerado um dos maiores guitarristas que o Brasil já teve, sendo peça fundamental em bandas expressivas da época como Made in Brazil, Secos e Molhados, Joelho de Porco e Rita Lee.

Anos 80

Nos anos 80, o Rock passou por uma verdadeira revolução, com o surgimento dos guitar heroes e músicos virtuoses. Taffo iniciou então um de seus projetos de maior sucesso, o Radio Taxi, trazendo para o Rock nacional frases de guitarra, licks e solos absolutamente inovadores e criativos.

A diferença é que, mesmo já com total domínio das técnicas, ele não pretendia fazer da sua guitarra a personagem principal das músicas, mas enriquecer as harmonias e melodias. “Quem só quer tocar rápido para impressionar amigos e namorada vai morrer de fome. O músico precisa ser completo. Você não vai vencer na vida pelo quanto que sabe tocar, mas pela música que vai criar”, dizia.

Os sucessos vieram um atrás do outro, dominando as rádios, programas de TV e possibilitando turnês extensas. E embora tudo aquilo impressionasse, Taffo sempre encarou o ofício de músico com muita seriedade. “Fazer o primeiro sucesso não é difícil. O problema é que as pessoas têm a impressão de que esse momento é eterno, se acomodam e caem”, afirmava. Para ele, ser músico é uma profissão como outra qualquer. “Claro que tem o lado gostoso dos shows e da diversão. Para isso acontecer, entretanto, é preciso estudar, aperfeiçoar-se e atualizar-se o tempo todo”.

O primeiro IG&T e a carreira solo

Em 1988, Wander começou a rascunhar aquela que seria sua maior realização. Conhecendo a fundo as dificuldades e necessidades dos músicos brasileiros, idealizou uma escola de música profissional, que oferecesse um método próprio, professores renomados, instalações modernas e todo o apoio que necessitassem. Assim surgiu o primeiro IG&T – Instituto de Guitarra e Tecnologia – focado na formação de guitarristas.

Em seguida, já em carreira solo, gravou um álbum em Los Angeles, que contou com a participação de Lobão, Lulu Santos e Herbert Vianna.

No início dos anos 90 formou a Banda Taffo, que lançou o disco Rosa Branca. Ainda no mesmo período, colaborou com seu talento nos discos de Marina Lima, Cássia Eller e Guilherme Arantes. “Eu simplesmente gosto de tocar, é uma coisa que gosto de fazer. É difícil passar um dia sem que eu pegue na guitarra”, dizia.

Todas essas atividades o afastaram temporariamente do IG&T, mas em 1997, Wander Taffo retomou a escola, decidido a compartilhar tudo o que sabia. Não sem antes ouvir do locatário que o contrato havia sido fechado graças ao fiador. “Sei que vocês não vão conseguir se manter aqui nem por seis meses”, disse ao saber que o imóvel seria usado para ensinar música.

“Um ano e meio depois, estávamos saindo dali sim, mas para ocupar o prédio de cinco andares e cerca de 3 mil metros quadrados em que estamos até hoje”, divertia-se Taffo ao lembrar da história.

A escola cresceu

Nessa mudança, o IG&T transformou-se em EM&T – Escola de Música e Tecnologia, reconhecida hoje como a maior e melhor escola de música da América Latina, tendo recebido cinco certificados internacionais de qualidade. São mais de 2.500 alunos matriculados nos institutos de guitarra, baixo, bateria, violão, teclado e canto, além dos mais diversos cursos como produção musical e luthier.

“A música sempre foi tratada como um sonho, sem pé na realidade. Com a EM&T eu mostro que você pode sim fazer dela sua profissão e construir uma carreira”, orgulhava-se o guitarrista, chamado de mestre por todos que ali circulam diariamente.

Partida

Na manhã do dia 14 de maio de 2008, porém, veio o choque. Sem histórico de problemas de saúde, Wander Taffo faleceu em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Sua obra, entretanto, permanece. Suas músicas e solos continuam inspirando milhares de jovens por todo o País, despertando neles o interesse e a vontade de aprenderem um instrumento, uma profissão, uma arte.

Por isso, a EM&T continua firme em seu propósito, disseminando a filosofia, o método e o desejo de Wander Taffo: ensinar música da melhor maneira possível, tratando os músicos com seriedade, profissionalismo e unindo todos em torno da mesma paixão.